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Por
Jorge Amado - revista Ventura - nº 36 -
outono de 2001
Maribeau
Sampaio, escultor de Cristos e Madonas, pintor de santos,
importante artista da grande geração que
renovou a arte baiana, Carlos Bastos, Carybé,
Jenner, Mário Cravo, Genaro de Carvalho, reuniu,
no correr de muitos anos, uma das maiores e melhores
coleções de imaginária do país.
Acima de quinhentas peças, cada qual mais valiosa.
Envaidecia-se de possuir algumas peças
de Frei Agostinho da Piedade, sendo que uma delas assinada:
uma das quatro únicas assinadas pelo grande santeiro
do século XVII.
Divertia-se colocando ao lado das
imagens originais de Frei Agostinho, santos modelados
por um ceramista contemporâneo, Osmundo Teixeira.
Desejava que viéssemos e sentíssemos a
herança transmitida pelo monge beneditino ao
moço grapiúna. Não é que
as peças se assemelhassem. Mais do que isso,
elas tinham a mesma força de beleza e transmitiam
idêntica emoção: as santas do século
XVII e as de hoje possuem uma graça, uma ternura,
uma condição brasileira, que lhes dão
singularidade própria, que as diferenciam de
todas as demais.
Frei Osmundo de Tabocas, assim
Mirabeau denominava o santeiro itabunense, pois Tabocas
foi o nome primitivo da cidade. Quem primeiro me falou
desse artista que é meu conterrâneo, pois
eu também sou nascido em Itabuna, não
foi, como se poderia pensar, nem o colecionador Moysés
Alves, tampouco Raymundo Sá Barreto que sabe
tudo sobre letras e as artes grapiúnas, foi o
jornalista português, doutor Nuno Lima de Carvalho,
que seleciona os artistas que expõem na galeria
do Cassino Estoril, uma das mais categorizadas de Portugal.
Íntimo, ele também, da melhor imaginária,
deixou-se seduzir pela arte de Osmundo e a fez
conhecida do público europeu.
Em verdade, antes de ser um nome admirado
e respeitado no Brasil, o moço de Itabuna mereceu
os aplausos da melhor crítica da Península
Ibérica.
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